Usando design de interação para qualificar usuários desde o primeiro contato
Este case apresenta o redesenho da principal interação da Landing Page do produto UseCasa, do Banco Santander, com foco em reposicionar o valor percebido do empréstimo, atrair leads mais qualificados e aumentar significativamente o ticket médio do produto. A iniciativa teve como objetivo estratégico elevar o ticket médio, alinhando UX necessidades de rentabilidade do negócio. Como resultado, a solução gerou um uplift de +10,5% no funil, atingiu o aumento do ticket médio em mais de 450% e resultou no aumento da produção anual de +16,7% após o rollout completo.
O cenário por trás do problema
O projeto foi desenvolvido no Banco Santander, dentro do segmento de crédito com garantia de imóvel, por meio do produto UseCasa. A Landing Page do produto operava em alta escala, recebendo em média 300 mil acessos mensais provenientes de tráfego pago e orgânico. O negócio vivia um momento de forte pressão por rentabilidade, exigindo maior eficiência do funil e melhor qualificação dos leads. Embora o produto tivesse potencial para operar com valores mais elevados, a experiência inicial não comunicava claramente o patamar real do empréstimo, o que impactava diretamente a qualidade dos usuários que chegavam ao simulador.

O problema de negócio que precisávamos resolver
O principal desafio estava no baixo ticket médio do produto, esse desalinhamento atraía um grande volume de leads desqualificados, elevando o custo de aquisição, reduzindo a eficiência comercial e impactando negativamente as taxas de aprovação de crédito. A Landing Page não ajudava o usuário a calibrar suas expectativas desde o primeiro contato, falhando em comunicar o valor real da solução.
A hipótese definida foi que, ao aumentar o valor percebido do empréstimo logo na primeira dobra da página, seria possível atrair usuários com maior capacidade financeira, qualificar melhor os leads e melhorar a eficiência do funil como um todo.
Meu papel e nível de responsabilidade
Atuei como Product Designer Sênior, sendo o principal ponto de contato entre as áreas de Produto, Negócio, CRO e Tecnologia, garantindo alinhamento estratégico e priorização da iniciativa. Conduzi benchmarks competitivos externos e internos, identifiquei oportunidades a partir de soluções já utilizadas pelo banco em produtos similares e participei ativamente da definição da estratégia junto ao time de CRO. Também fui responsável por apresentar o racional da proposta aos stakeholders, obter aprovação e liderar a definição da solução de UX/UI em alta fidelidade.
O time envolvido contou com um Product Designer, um profissional de CRO, um desenvolvedor, um especialista em SEO e um analista de Digital Analytics.

Como chegamos à estratégia certa
A partir de benchmarks externos, identifiquei que simuladores com input direto de valor tendiam a gerar maior engajamento e leads mais qualificados. Internamente, observei que o Santander já utilizava sliders de valor com bons resultados em soluções de crédito semelhantes, o que reduziu riscos de adoção. Durante testes iniciais, identificamos um ponto crítico: valores pré-definidos poderiam ser interpretados como um valor mínimo fixo, reduzindo a percepção de flexibilidade do produto. Esse insight orientou decisões importantes de usabilidade e comunicação visual.
A estratégia definida foi trazer o controle do valor do empréstimo para a primeira dobra da Landing Page, transformando-o no principal elemento de atenção e interação do usuário, além de alinhar expectativa, valor percebido e objetivo de negócio logo no primeiro contato.
A solução: reposicionar valor através da interação
A solução implementada consistiu na introdução de um slider de valor do empréstimo posicionado na primeira dobra da Landing Page. O componente foi pré-preenchido com o valor de R$ 170 mil, correspondente ao target estratégico do negócio, mas projetado para ser totalmente interativo e flexível. O usuário podia ajustar livremente o valor tanto por meio do mouse quanto pelo teclado, uma decisão consciente de UX para ampliar o controle e acessibilidade da experiência.
Para evitar a percepção de rigidez identificada em versões iniciais, foram adicionados indicadores visuais claros de editabilidade, como uma barra piscante sugerindo interação, microinterações no próprio slider e feedback de clique por meio de uma sombra verde expansiva que reforçava a resposta imediata do sistema. Essas decisões ajudaram a comunicar que o valor inicial era apenas uma sugestão e não uma limitação.
Como validamos a solução
A solução passou por duas rodadas de testes A/B e todas as variações foram validadas com usuários reais. Durante esse processo, houve atenção especial às heurísticas de usabilidade, especialmente após identificar que a primeira versão gerava dúvidas quanto à flexibilidade do valor. Os testes mostraram que a versão com slider apresentou um aumento de 30% no engajamento com o componente de simulação e uma elevação de 11% na taxa de passagem para o simulador.
Resultados e impacto no negócio
Após o período de testes, que durou aproximadamente 15 dias, a solução foi implementada e sustentada por cerca de 90 dias. Nesse intervalo, o funil apresentou um uplift de +10,5%, enquanto o ticket médio do produto aumentou em +467%. Com base nesses resultados, o time de CRO projetou que, após a implementação para 100% do público, a iniciativa poderia gerar aproximadamente +16,7% anuais em produção adicional.

Principais aprendizados
Este projeto reforçou que pequenas decisões de arquitetura de interação podem gerar impactos diretos e mensuráveis nas métricas de negócio. O uso de valores pré-preenchidos mostrou-se eficaz apenas quando acompanhado de sinais claros de flexibilidade e controle. Além disso, o case evidenciou que UX bem executado não se limita a melhorar conversão pontual, mas atua diretamente na qualificação de todo o funil.